O futebol gaúcho iniciou 2026 cercado de expectativas. Tanto Grêmio quanto Internacional mudaram peças importantes: novos técnicos, ajustes no elenco e reestruturações no comando do futebol. Passado quase dois meses a realidade mostra que nem tudo saiu como planejado.

No Grêmio, a troca de Mano Menezes por Luís Castro prometia uma nova identidade de jogo. No papel, a ideia parecia clara: um time protagonista e organizado. Na prática, porém, o trabalho ainda não mostrou consistência. No Gauchão, encontra enorme dificuldade para superar adversários. A classificação sobre o Novo Hamburgo foi sofrida, e o empate em casa com o Juventude na semifinal expôs novamente um time sem força e organização tática.
Já o Internacional vive um cenário quase oposto. Sob o comando de Paulo Pezzolano, o Colorado adotou estratégia de rodar o elenco no Estadual. A fórmula funcionou: liderança de grupo, classificação tranquila diante do São Luiz e goleada sobre o Ipiranga em Erechim na ida da semifinal. O time mostra intensidade, organização tática e competitividade — características que renderam inclusive vitória em Gre-Nal.
Mas o futebol não se resume ao Gauchão. E é justamente no Campeonato Brasileiro que surgem os maiores sinais de alerta. O Inter ocupa a penúltima colocação após três rodadas. O que funciona com reservas no Estadual não se repete com os titulares na competição nacional. A equipe perdeu em casa na estreia para um recém-promovido a serie A e já vive necessidade urgente de pontos.
O Grêmio, embora um pouco melhor na tabela, também preocupa. Soma três pontos e carrega duas derrotas pesadas em atuações muito abaixo. A mais recente, contra o São Paulo, descrita como uma partida para esquecer.

E aí entra o fator decisivo até aqui: os técnicos. Pezzolano parece ter dado rapidamente uma “cara” ao Inter com um time, combativo e fisicamente competitivo mesmo nas derrotas. Já no Grêmio, as escolhas de Luís Castro geram questionamentos. A defesa muda a cada jogo, e o melhor zagueiro (Kannemann) não joga, a lateral direita virou improviso e peças do meio-campo desaparecem do time sem explicação (como Thiaguinho). Oscilações táticas ora ofensivo fora, ora defensivo em casa e com mesmo resultado, derrotas doidas e atuações fraca nas vitorias.
No fim das contas, mesmo com o Inter bem no Estadual e o Grêmio ligeiramente melhor na tabela do Brasileirão, o sentimento geral é de duvida para o torcedor. O histórico recente ainda alerta: o Gauchão já se mostrou enganador em outras temporadas, com campeões estaduais terminando o ano em crise ou até rebaixados.
A única certeza neste início de temporada é que no Campeonato Brasileiro, a dupla Gre-Nal precisa urgentemente somar pontos e, principalmente, apresentar bom futebol. Porque título estadual pode até animar mas na maioria das vezes tem sido o “engana bobo” pois no Brasileirão tem uma realidade dura que a anos não traz alegrias nem títulos.
João Carlos C. Ferreira
Colunista Esportivo – Tribuna | Portal Diário
Desportista organizador dos campeonatos regionais de futebol de campo
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