Escrito por 19:49 Geral

Ações práticas para minimizar as perdas de soja para a estiagem

Especialista da Embrapa lista iniciativas ao produtor que podem amenizar os prejuízos

O Rio Grande do Sul enfrenta mais uma safra com problemas climáticos para o seu principal cultivo, a soja, cultura espalhada em mais de 6,8 milhões de hectares. “Na maior parte do período (da safra), as condições climáticas foram desfavoráveis, caracterizadas por déficit hídrico, temperaturas elevadas (atingindo 40°C na região das Missões), alta demanda evaporativa da atmosfera e baixa umidade relativa do ar”, descreveu o ambiente para a oleaginosa a Emater/RS-Ascar em seu Informativo Conjuntural da semana passada.

“Esse conjunto de fatores provocou estresse hídrico em parte das áreas com sintomas fisiológicos, como murchamento, senescência foliar precoce, abortamento de flores e vagens, redução e queda da área foliar, comprometendo o potencial produtivo em diversas regiões”, complementou.

E como quase que a totalidade da área gaúcha da oleaginosa é cultivada sem o recurso da irrigação, resta ao produtor estabelecer um manejo agronômico já comprovado que consiga mitigar os efeitos da falta de água nas lavouras. O pesquisador Alvadi Balbinot Júnior, da Embrapa Trigo, sediada em Passo Fundo (RS), menciona algumas iniciativas que podem levar a plantação a ser mais resiliente à má vontade das nuvens.

“O principal fator que limita a produtividade e a rentabilidade da soja brasileira é o déficit hídrico, a falta de água. Esse é um problema complexo para manejo, mas o agricultor tem na mão algumas estratégias para amortecer, para minimizar as perdas, e nós temos aí algumas estratégias para isso”, argumentou o especialista no programa AgroCast Embrapa.

Para começar, lembrou, é fundamental fazer o recomendado manejo integral do solo. “A primeira (iniciativa) e sem dúvida a mais importante é a construção de um perfil de solo com adequada fertilidade química, física e biológica em sistema plantio direto, sem limitações físicas ou químicas, como alumínio, para o crescimento radicular da soja de forma vigoroso em alta produtividade, acessando a água que está em subsuperfície”, esclareceu.

Conforme ele, a lavoura em sistema plantio direto, desde que bem conduzido, permite a melhor infiltração de água no solo, “o que é um primeiro fator que minimiza as perdas por falta de água, ou seja, a água tem que ficar no solo que estamos cultivando”, justificou.

Além disso, visto a cobertura da superfície da terra pela palhada, ocorre uma redução de perda de água por evaporação, e ainda permite a redução da temperatura no ambiente. “Nós temos alguns trabalhos mostrando que o crescimento radicular da soja pode atingir até dois metros de profundidade”, disse. “E numa situação em que se tenha uma adequada estrutura de solo, com bioporos contínuos, essa raiz pode chegar então a dois metros, acessando a água em camadas mais subsuperficiais.”

Variedades resistentes

A segunda iniciativa, igualmente muito importante, é a priorização de cultivares que tenham uma maior tolerância à seca. “Sabemos que temos algumas cultivares de soja mais estáveis e essas devem ser escolhidas, principalmente naquelas regiões que têm maiores problemas de seca”, sugeriu.

“Um terceiro ponto é a questão do ajuste do manejo da cultura. E aí chamamos a atenção na densidade de plantas. Não podemos nem ter poucas plantas, porque senão numa condição de seca no (estágio) vegetativo a cultura não consegue ‘fechar’ a lavoura, mas, por outro lado, não podemos ter um exagero de plantas que pode, lá no (estágio) reprodutivo, representar um consumo exagerado de água, fazendo com que tenhamos perdas muito significativas”, argumentou.

Além dessas estratégias, o pesquisar mencionou ainda a irrigação, naturalmente quando viável ao produtor. “E eu não poderia deixar de falar da semeadura da soja respeitando o zoneamento agrícola para cada região”, ainda acrescentou.

“Dessa forma, teríamos aí um manejo integrado desse problema complicado, complexo, sempre visando amortecer as perdas, reduzir, porque sem água evidentemente não vamos conseguir produzir nenhuma cultura”, afirmou.

Publicação dá dicas

A Embrapa disponibiliza em seu site o Comunicado Técnico “Programa de Tecnologias para Enfrentamento da Seca na Soja – TESS”, publicação gratuita que pode ser baixada em PDF no site da instituição, em que são descritas as muitas ações coordenadas da Embrapa na pesquisa e transferência e difusão de tecnologias para minimizar os efeitos do déficit hídrico na cultura em nível nacional.

“Além do histórico de perdas por veranicos, as projeções futuras para a soja brasileira, no contexto do aquecimento global, apontam para um cenário de intensificação dos eventos de seca nas próximas décadas com impactos ainda mais severos às lavouras”, alerta a publicação.

Fonte: Correio do Povo

Portal Diário