Escrito por 19:00 Agricultura

Guerra vai inverter trajetória de queda nos custos de produção do leite

Deflação nos insumos foi de 4,49% no acumulado do ano, apurou a Farsul, mas que prevê “reversão da trajetória desinflacionária”

A equipe econômica da Farsul divulgou nesta segunda-feira, 30, o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC), que recuou 2,7% em fevereiro. A queda nos custos foi liderada pela cotação da soja e do milho, com negativas de 4,2% e 2,4%, respectivamente, o que impacta diretamente em alguns dos maiores custos da produção, o de silagem e concentrado.

Da mesma forma, os fertilizantes tiveram queda (-1,72%), assim como combustíveis (-0,37%) e de energia (-6,7%), reflexo da sazonalidade.

E no acumulado do ano, o indicador está com deflação de 4,49%. “A aderência entre as séries evidencia a persistência do processo desinflacionário e o seu repasse para os preços dos principais componentes da cesta de insumos do setor”, avaliou a entidade.

Descolamento

No entanto, apesar desses recuos, a Farsul avalia que o cenário em geral ainda é “preocupante”.

“Existe um descolamento entre o custo de produção e o preço recebido. Ambos estão em queda, mas o segundo de uma forma muito mais acentuada que o primeiro, o que acaba comprimindo as margens de lucro. Nos últimos 12 meses, o custo de produção caiu 7,7%, enquanto o preço recebido pelo produtor despencou 20%”, informou a entidade.

“Já no mercado lácteo, a forte retração do preço ao produtor (-20% ao ano) e a deflação no IPCA de leite e derivados (-5,08%) evidenciam um repasse ao longo da cadeia até o varejo. Contudo, apesar do alívio nos insumos, o cenário operacional permanece adverso: a desvalorização do leite superou o recuo dos custos, resultando em severa compressão de margens e deterioração das relações de troca para o produtor”, interpretou.

Efeitos da guerra

E para este mês de março, a expectativa é que o impacto de conflitos globais atinja diretamente a trajetória de custos do produtor e a situação atual se inverta, com altas no petróleo, fertilizantes e valorização da soja.

“Para março, projeta-se a reversão da trajetória desinflacionária do índice. Essa dinâmica será precificada majoritariamente pelos choques geopolíticos advindos da guerra no Irã”, estima.

“A forte escalada nas cotações do barril de petróleo antecipa um repasse altista aos combustíveis domésticos, notadamente ao óleo diesel”, prosseguiu. “Paralelamente, o subgrupo de fertilizantes consolida viés de alta, dada a expressiva representatividade da região na matriz global de fornecimento”, acrescentou. “Por fim, a recente valorização das cotações da soja exercerá pressão adicional sobre a estrutura de custos.”

Fonte: Correio do Povo

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