Escrito por 19:21 Agricultura

Solo bem cuidado produz mais: Cotrisal aposta na agricultura de precisão para elevar resultados na próxima safra

Com resultados distintos entre municípios na colheita em curso, cooperativa reforça a importância do mapeamento e correção do solo como estratégia central para garantir produtividade no campo.

A colheita da soja está em andamento nas áreas dos associados da Cotrisal — e já revela um cenário heterogêneo. Enquanto alguns municípios registram produtividades acima do esperado, outros enfrentam perdas expressivas em função da estiagem, que voltou a castigar as lavouras do Rio Grande do Sul nesta temporada. O diagnóstico traçado pela cooperativa é claro: mesmo dentro de uma mesma localidade, observam-se diferenças significativas de produtividade entre produtores. Em grande medida, a diferença entre uma lavoura que resiste e outra que sucumbe está diretamente relacionada à qualidade do manejo do solo.

Com o desenvolvimento da colheita avançando, a Cotrisal acompanha de perto esse cenário e reforça uma mensagem para seus associados: o momento pós-colheita é o mais estratégico do ano para investir na saúde do solo e garantir os alicerces da safra seguinte.

O gerente técnico da Cotrisal, Nazaré Piran, chama atenção para um fator que fez diferença expressiva entre lavouras nesta safra: a escolha do cultivar de soja em função das condições climáticas previstas — El Niño, La Niña ou período neutro. Segundo ele, produtores que procuraram a Cotrisal antes do plantio para entender qual cultivar se adapta melhor a cada janela e a cada cenário climático obtiveram resultados mais consistentes. O trabalho é feito em parceria com a CCGL e acumula vários anos de dados e experiência de campo.

Para a próxima safra, a cooperativa reforça o convite: que os associados venham às filiais e questionem sobre o posicionamento de cultivares de acordo com o ambiente, o ciclo e as projeções climáticas. A orientação técnica personalizada é uma das principais vantagens de ser cooperado.

Solo ácido é dinheiro perdido

O engenheiro agrônomo Roberto De Lucca, responsável pela área de agricultura de precisão da Cotrisal, é direto ao apontar o principal gargalo nas lavouras da região: a acidez do solo. Um problema silencioso que corrói a produtividade safra após safra.

A explicação é técnica, mas o impacto é simples de compreender: em solos com pH abaixo de 5,5, menos da metade do fósforo aplicado via adubação é efetivamente absorvido pelas plantas. Isso ocorre porque, em condições de maior acidez, elementos como ferro e alumínio presentes no solo se tornam mais reativos e se ligam ao fósforo, formando compostos pouco solúveis. Dessa forma, grande parte do nutriente fica retida na fração ácida do solo, indisponível às raízes, comprometendo a eficiência do fertilizante e, consequentemente, o potencial produtivo da lavoura.

O potássio também sofre perdas em ambientes ácidos, embora em menor escala. Mas o problema vai além da eficiência dos fertilizantes. Solos ácidos comprometem o desenvolvimento radicular das plantas — e raízes superficiais significam maior vulnerabilidade a períodos de estiagem, exatamente o que ocorreu em diversas filiais da Cotrisal nesta safra. “A raiz não consegue estruturar um sistema robusto e descer no perfil do solo”, explica De Lucca. “Em anos mais secos, ela simplesmente não alcança a umidade nas camadas mais profundas. A perda de produtividade fica evidente.”

Calcário: qualidade antes do preço

A correção da acidez passa pelo calcário — e a Cotrisal alerta para um equívoco comum: comprar calcário pelo preço, sem avaliar a qualidade. A diferença entre um calcário de menor PRNT e peneira grossa e um calcário fino pode definir se a correção acontece de fato ou não.

Dois indicadores são fundamentais na hora da escolha: o PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) e a fração fina do produto. Quanto mais alto o PRNT e maior a proporção de partículas finas, mais rápida e eficiente é a reação do calcário com o solo. “Quando o calcário é espalhado na superfície sem incorporação, se não tiver granulometria fina, ele não faz efeito. Pode ficar anos na superfície sem corrigir praticamente nada”, ressalta Roberto.

A cooperativa já migrou para o uso de calcários mais reativos em seus trabalhos de agricultura de precisão — e os resultados aparecem nas reanálises de solo feitas a cada dois ou três anos: aumento real de pH e melhora mensurável na produtividade.

Agricultura de precisão: mapear para acertar

Nenhuma lavoura é homogênea. Esse é o ponto de partida da agricultura de precisão oferecida pela Cotrisal. Por meio do mapeamento por GRID — quadrículas definidas dentro do talhão, cada uma com sua análise de solo individualizada —, é possível identificar exatamente onde a acidez é crítica, onde falta fósforo, onde o potássio está abaixo do ideal.

O GRID de 1 hectare é o de maior precisão: a cada hectare do talhão, são coletadas entre 8 e 10 subamostras de solo que formam uma análise composta, revelando as manchas internas de fertilidade e acidez com alta resolução.

“Quanto menor o GRID, mais nítidas ficam as manchas do solo,” explica De Lucca. “Com GRIDs maiores, a média começa a misturar áreas boas e ruins, e você perde a capacidade de corrigir cada ponto conforme sua real necessidade”.

Sem esse mapeamento, o produtor aplica uma dose fixa em toda a área — colocando calcário onde não é necessário e deixando de aplicar onde mais precisa. O resultado é desperdício de insumo em um ponto e perda de produtividade em outro.

Mapa de variabilidade de calcário (kg/ha) gerado por agricultura de precisão — Cotrisal

O mapa acima ilustra com precisão o que acontece em campo. Nesse talhão, a necessidade de calcário varia de 2.000 kg/ha nos pontos menos críticos a 5.800 kg/ha nas manchas mais ácidas. Se o produtor optasse pela aplicação tradicional em taxa fixa, aplicaria a média da área — cerca de 3.200 kg/ha em toda a lavoura. O resultado seria duplo prejuízo: excesso de calcário nas zonas que já estão próximas do equilíbrio e subdosagem nas áreas mais críticas, onde o solo continua ácido e a cultura segue limitada. Com o mapeamento de precisão, cada ponto recebe exatamente o que precisa — sem desperdício, sem deficiência.

O momento é agora

A janela pós-colheita da soja é a mais indicada para iniciar os trabalhos de análise e correção de solo. As decisões tomadas agora — sobre calagem, adubação e manejo — vão definir o teto de produtividade da safra 2026/27 antes mesmo do plantio.

A Cotrisal disponibiliza a equipe técnica, incluindo o setor de agricultura de precisão coordenado por Roberto De Lucca, para atender associados interessados em iniciar ou aprimorar o mapeamento de suas áreas. O contato pode ser feito diretamente nas filiais da cooperativa, que encaminham as demandas ao departamento técnico.

Saiba mais e solicite seu mapeamento de solo

Procure a filial mais próxima e solicite o serviço de agricultura de precisão. O departamento técnico da Cotrisal está pronto para orientar sobre análise de solo, escolha de calcário e posicionamento de cultivares para a próxima safra.

Fonte: Cotrisal

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