Escrito por 15:16 Crissiumal

VITÓRIA CONTRA A DESCONFIANÇA?

O Grêmio venceu. Mas convenceu?

Na noite de 21 de abril, a equipe gremista estreou na Copa do Brasil competição em que carrega enorme tradição, com cinco títulos e nove finais disputadas, diante do Confiança, da Série C, e venceu por 2 a 0 na Arena. Resultado importante. Mas insuficiente para dissipar a desconfiança.
A desconfiança ela não nasceu neste jogo.
A sombra vinha de Belo Horizonte, da derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, no sábado, num desempenho preocupante. Um time engessado, com três volantes, pouca criação e uma atuação que, sinceramente, poderia ter terminado em goleada. A pressão em cima de Luís Castro cresceu, e a promessa feita pelo treinador na coletiva “haverá mudanças” abriu um debate enorme.
Mudança de esquema? Três zagueiros? Um 4-4-2? Revolução tática?
Nada disso.
Na prática, só uma alteração: Gabriel Mec entrou no lugar de Noriega. Apenas isso. Nenhuma reinvenção, nenhum choque estrutural. O básico.
E mesmo esse básico precisou da ajuda do contexto.
A expulsão de um jogador do Confiança ainda no primeiro tempo facilitou o cenário. Só depois, com as entradas de Leo Perez e Braithwaite, o Grêmio encontrou espaços e fez os gols com Carlos Vinicius e Amuzu. Resolveu. Mas resolveu tarde demais para um jogo em que deveria ter se imposto desde o primeiro minuto.
Porque sejamos honestos: jogar em casa, com um homem a mais, contra um adversário da Série C, e precisar esperar o segundo tempo para confirmar superioridade não é exatamente sinal de evolução.
E aí mora a desconfiança.
Passados quase cinco meses de trabalho, Luís Castro ainda não entregou um time com identidade. Não há um onze consolidado, não há padrão ofensivo claro, e o repertório segue resumido, muitas vezes, a cruzamentos na área buscando Carlos Vinicius.
Defensivamente, os problemas gritam.
Pavon improvisado na lateral oscila entre esforço e vulnerabilidade. A zaga já sofreu 16 gols em 12 jogos de Brasileirão, número alarmante. O meio-campo parece sorteio a cada rodada: Noriega, Nardoni, Artur, Dodi, Riquelme, Gabriel Mec, Monsalve… peças mudam, mas a engrenagem não encaixa.
Se há algo sustentando o time, é o ataque.
Carlos Vinicius tem resolvido com gols. Amuzu vem sendo talvez o jogador mais regular da equipe. E, convenhamos, eles têm salvado a pele de muita gente no clube.
Por isso a pergunta do título permanece viva.
Foi vitória contra o Confiança… ou apenas contra a desconfiança por uma noite?
Porque domingo, na Arena, vem o Coritiba — dono da melhor campanha como visitante. E a dúvida reaparece.
Qual será o Grêmio que entrará em campo desta vez?
Dá para confiar?
Ou a desconfiança seguirá vestindo azul, preto e branco?