Vamos falar do nosso futebol. E não apenas falar é preciso reconhecer, valorizar e enaltecer o que está acontecendo diante dos nossos olhos. O futebol regional vive um momento especial, daqueles que marcam época e deixam história.
Quem acompanhou as semifinais das Libertadores Regionais Concrepassos 25/26, nas categorias aspirante e principal, sabe exatamente do que estamos tratando. Foram jogos que ultrapassaram qualquer expectativa. Jogos grandes. Ou melhor, jogaços como manda o dicionário da bola.

Se você gosta de futebol, certamente ouviu falar de confrontos como Riograndense x Harmonia, CMD Esperança x América ou Harmonia x Associação Humaitá. E não foi por acaso. Foram partidas carregadas de emoção, histórias improváveis e momentos que já estão eternizados na memória do torcedor e jogadores.
Teve de tudo: decisões por pênaltis, viradas inacreditáveis, goleiros decisivos e até cavadinha que ganhou o Brasil pelas redes sociais. Teve jogo em que um 3 a 1 virou empate em questão de minutos, seguido de uma classificação dramática nas penalidades. Teve equilíbrio, entrega e aquele ingrediente que só o futebol raiz tem: alma e paixao.
E como não destacar o que aconteceu em Pinheirinho do Vale? Um roteiro digno de decisão profissional. A Associação Humaitá abriu 2 a 0, o Harmonia buscou o empate e a decisão foi para os pênaltis. Aí veio o inacreditável: Harmonia perdeu as três primeiras cobranças, Humaitá converteu duas e tinha a classificação nas mãos. Bastava um gol em três cobranças. Mas o futebol, esse velho imprevisível, resolveu escrever outro final.
Humaitá desperdiçou tres chances, a disputa foi para as alternadas e o drama só aumentou. Pois Harmonia errou denovo a sexta cobrança e Humaita inacreditavelmente perdeu a quarta cobrança seguida. E ai foram mais 15 cobranças seguidas e todas convertidas. Até que, na vigésima segunda, o erro decretou a vitória do Harmonia em um dos jogos mais insanos da história da várzea. Um duelo que já tem nome: A Batalha do Rio Uruguai.
Em Santo Augusto, outro espetáculo. Esperança do Sul simplesmente invadiu o estádio Ninho da Águia e protagonizou, junto ao América, um empate eletrizante em 3 a 3. Mais uma decisão nos pênaltis, mais um goleiro virando herói, mais uma comunidade vibrando como se estivesse em uma final de Copa do Mundo.
E é exatamente isso que resume o momento: comunidade. Hoje, 35 municípios das regiões Amufron, Alto Uruguai e Celeiro estão envolvidos nas competições, que abrangem categorias como livre, máster 50, feminino e sub-17. Não é apenas futebol é pertencimento, identidade, orgulho local.
Além disso, há organização. E isso faz toda a diferença. Competições bem estruturadas, decisões tomadas em conjunto com as equipes, valorização dos atletas com premiações individuais, fortalecimento das marcas dos clubes e uma divulgação que ultrapassa fronteiras, chegando até fora do país.
O resultado? Uma várzea viva, pulsante e cada vez mais forte.
Hoje, jogar essas competições é desejo. Ganhar, então, é consagração. Estar presente já é privilégio. Porque o melhor da várzea está aqui.
E se alguém ainda tinha dúvida, fica o recado: o futebol regional não deve nada a ninguém. Pelo contrário em muitos aspectos, dá aula.
A várzea respira. E respira forte.

João Carlos C. Ferreira
Colunista Esportivo – Tribuna | Portal Diário
Desportista organizador dos campeonatos regionais de futebol de campo















