Escrito por 13:49 Crissiumal

Menina de 3 anos vítima de golpe com IA em falsas vaquinhas morre no Rio Grande do Sul

Morreu na madrugada desta segunda-feira (27) a menina Sophia Luisa Moraes dos Santos, de 3 anos, moradora de Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A criança enfrentava um tratamento contra o câncer e ganhou repercussão nacional após ter sua imagem utilizada por criminosos em falsas campanhas de arrecadação criadas com o uso de inteligência artificial.

Segundo a família, Sophia estava internada na Santa Casa de Porto Alegre desde a tarde de domingo (26). De acordo com a mãe, Kelen Santos, a menina sofreu complicações decorrentes do tratamento oncológico, incluindo problemas cardíacos relacionados às radioterapias e uma infecção pulmonar. Ela precisou ser entubada após apresentar dificuldade para respirar, mas sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.

O velório e o sepultamento ocorrerão no Cemitério Jardim da Memória, em Novo Hamburgo.

Golpe utilizava inteligência artificial

O caso chamou atenção após a Polícia Civil descobrir que criminosos utilizaram a imagem de Sophia para criar vídeos falsos com tecnologia de inteligência artificial. As montagens simulavam a menina pedindo doações para a compra de medicamentos, utilizando recursos de clonagem de voz e deepfake para tornar os apelos mais convincentes.

As publicações eram divulgadas em páginas falsas nas redes sociais e direcionavam os doadores para sites que imitavam plataformas de arrecadação. No local, era gerado um código Pix, e os valores eram transferidos para contas controladas pela organização criminosa.

Segundo as investigações, somente a falsa campanha envolvendo a imagem de Sophia desviou cerca de R$ 294,5 mil.

A mãe da menina relatou que diversas pessoas entravam em contato acreditando ter ajudado no tratamento da filha, sem saber que haviam sido vítimas de um golpe.

Operação prendeu suspeitos

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, no último dia 14, uma operação em cinco estados para desarticular o grupo responsável pelo esquema. Ao todo, 16 pessoas foram presas.

Os investigados deverão responder por crimes como estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Conforme a polícia, uma empresa utilizada pelo grupo movimentou mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado.

As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas que tiveram imagens utilizadas de forma ilegal em falsas campanhas de arrecadação.

A Polícia Civil orienta que, antes de realizar qualquer doação pela internet, as pessoas confirmem a autenticidade da campanha diretamente com a família ou instituição beneficiada e verifiquem se o destinatário da chave Pix corresponde ao responsável legítimo pela arrecadação.

Fonte: g1 RS.