Escrito por 08:34 Crissiumal

Meteorologista da MetSul alerta: meses de maior risco para tornados no RS ainda estão por vir

Após dois tornados atingirem o Rio Grande do Sul em menos de dez dias, o meteorologista da MetSul alerta que a sequência de fenômenos severos não deve ser encarada como encerrada. Segundo a avaliação, o período de maior atenção para tempestades intensas e tornados ainda está por vir, especialmente com a aproximação da primavera.

O alerta não significa que o Estado necessariamente enfrentará uma sequência de tornados. Esses fenômenos são extremamente localizados e não podem ser previstos com precisão com semanas ou meses de antecedência. O que pode ser analisado é o ambiente atmosférico, que, neste momento, apresenta condições que exigem atenção para a ocorrência de tempestades severas.

O primeiro tornado ocorreu em 28 de julho, no Noroeste do Rio Grande do Sul. O fenômeno atingiu três municípios e foi classificado pela MetSul como F3, com ventos estimados em até 300 km/h.

Poucos dias depois, em 6 de agosto, um novo tornado atingiu Pedro Osório, na região Sul do Estado. O fenômeno foi classificado como F2, com ventos estimados em até 200 km/h.

Além dos dois casos no Rio Grande do Sul, outro tornado foi registrado no Sul do Brasil recentemente, desta vez em Piraí do Sul, no Paraná.

Sul do Brasil possui condições favoráveis

Embora a ocorrência de dois tornados em dez dias no Rio Grande do Sul não seja algo comum, esses fenômenos não são novidade na região. Tornados fazem parte da climatologia do Sul do Brasil, que apresenta condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades severas.

A combinação entre o ar quente e úmido e o avanço frequente de massas de ar frio vindas da Argentina pode provocar grande instabilidade na atmosfera.

Quando esse cenário é acompanhado por forte cisalhamento do vento, especialmente associado a correntes de jato de baixos níveis, aumentam as condições para o desenvolvimento de tempestades organizadas, incluindo supercélulas capazes de produzir tornados.

Por isso, os recentes fenômenos não devem ser analisados apenas como acontecimentos isolados. O cenário atmosférico previsto para os próximos meses continuará bastante dinâmico.

El Niño pode contribuir para um cenário mais favorável

Outro fator que merece atenção é a presença do El Niño. O fenômeno oceânico não provoca tornados diretamente, mas pode alterar os padrões de circulação atmosférica e favorecer combinações de calor, umidade, instabilidade e vento que aumentam o potencial para eventos de tempo severo.

A avaliação é de que o El Niño deste ano apresenta intensidade excepcional e pode contribuir para um período com diversas ondas de tempestades no Sul do Brasil.

Cada sistema terá características próprias. Alguns poderão provocar apenas chuva, enquanto outros terão potencial para granizo, vendavais e, em determinadas condições, tempestades supercelulares e tornados.

Primavera aumenta a atenção

A aproximação da primavera é apontada como um dos principais motivos para a preocupação com os próximos meses.

Embora o inverno também possa produzir tempestades violentas, como demonstraram os eventos recentes, a partir de setembro, outubro e novembro tende a aumentar a disponibilidade de calor e umidade na atmosfera.

Quando esse combustível encontra frentes frias, áreas de baixa pressão, jatos de baixos níveis e forte cisalhamento dos ventos, pode surgir uma combinação favorável à formação de tempestades extremamente organizadas.

Por isso, a primavera é considerada uma estação que merece atenção especial no Sul do Brasil quando o assunto é tempo severo.

Não é possível prever tornados com semanas de antecedência

O alerta não significa que o Rio Grande do Sul terá tornados constantes nos próximos meses. Segundo a avaliação meteorológica, seria incorreto fazer esse tipo de previsão.

A Meteorologia não consegue determinar com semanas de antecedência se um tornado ocorrerá ou exatamente onde ele atingirá o solo.

O que os especialistas conseguem identificar é quando a atmosfera apresenta condições mais favoráveis à formação de tempestades severas. A partir disso, cada sistema meteorológico precisa ser acompanhado individualmente.

Outro fator importante é que atualmente os tornados são mais registrados do que no passado. A popularização dos celulares e o maior interesse da população por fenômenos meteorológicos permitem documentar ocorrências que, décadas atrás, poderiam ter acontecido sem deixar registros.

Fonte: MetSul Meteorologia

Foto: IMAGEM ILUSTRATIVA.