Escrito por 11:29 Crissiumal

Pix reduz uso do dinheiro em espécie, mas ainda enfrenta resistência entre idosos

Desde que foi lançado, em 2020, o Pix transformou a forma como os brasileiros realizam pagamentos e transferências. A praticidade e a rapidez das transações fizeram com que o sistema se tornasse um dos principais meios de pagamento do país e contribuíram para a redução do uso de dinheiro em espécie.

Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box aponta que 61% dos brasileiros afirmam ter abandonado ou reduzido o uso de dinheiro em papel após a popularização do Pix.

Apesar da ampla adesão, parte da população ainda prefere utilizar cédulas. A resistência é especialmente observada entre pessoas mais velhas, que apontam o medo de golpes, a falta de familiaridade com aplicativos e a insegurança sobre a confirmação das transações como alguns dos principais motivos.

Moradora de Porto Alegre, Cledi Paim, de 77 anos, afirma que prefere realizar pagamentos presencialmente e utilizar dinheiro em espécie. Quando precisa fazer uma transferência pelo Pix, costuma pedir ajuda ao filho.

Outro exemplo é o aposentado Alexandre Duarte, também de 77 anos. Ele mantém o hábito de imprimir boletos e pagar as contas em uma lotérica, onde recebe o comprovante da operação.

Embora conheça o Pix, Alexandre afirma que sente mais segurança quando possui um comprovante físico do pagamento. Para ele, a possibilidade de acompanhar diretamente a operação traz maior tranquilidade.

Já Jorge Mello, de 64 anos, utiliza cartão de débito, mas ainda não se sente familiarizado com o processo para realizar transferências pelo Pix. Quando precisa utilizar o sistema, conta com a ajuda do filho.

Pix já é utilizado pela maioria dos brasileiros

Segundo levantamento da Ipsos-Ipec realizado em junho, 82% dos brasileiros utilizam o Pix para pagamentos e transferências. A ferramenta também apresenta alto índice de aprovação: 93% dos entrevistados avaliam o sistema de forma positiva.

A popularização do Pix também reduziu a utilização de outros meios de pagamento. De acordo com pesquisa da Serasa, 28% dos entrevistados afirmaram ter diminuído o uso de boletos bancários, enquanto 17% passaram a utilizar menos o cartão de débito físico.

Para a educadora financeira da Serasa, Karla Pontes, a resistência ao Pix está principalmente relacionada à falta de familiaridade com celulares, aplicativos e tecnologias bancárias.

Segundo ela, muitas pessoas ainda preferem o dinheiro físico por se sentirem mais seguras ao visualizar e manusear as cédulas.

O Pix foi criado pelo Banco Central e começou a funcionar em novembro de 2020. Desde então, o sistema recebeu atualizações e novas funcionalidades voltadas à segurança e à praticidade dos usuários.

Adesão diminui entre pessoas mais velhas

Os dados da Ipsos-Ipec mostram que a utilização do Pix varia conforme a idade. Entre brasileiros de 35 a 44 anos, a adesão chega a 90%. Na faixa dos 45 aos 59 anos, o índice é de 81%.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, porém, apenas 48% afirmam utilizar o sistema.

A renda familiar também influencia na utilização. Aproximadamente 70% das pessoas que recebem até um salário mínimo utilizam o Pix, enquanto o percentual chega a 95% entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos.

Especialistas recomendam que pessoas que ainda têm dificuldades com o sistema busquem informações e orientação para aprender a utilizar a ferramenta com segurança.

Além da praticidade, o Pix pode facilitar o controle das finanças pessoais, já que as movimentações ficam registradas no aplicativo bancário. Ainda assim, é importante conferir cuidadosamente os dados do destinatário antes de confirmar qualquer transação.

O Banco Central disponibiliza informações sobre o funcionamento e os recursos de segurança do Pix em seus canais oficiais.

📰 Fonte: Correio do Povo