
O Internacional tem um novo treinador.
Eduardo Baptista, 56 anos, foi anunciado para comandar o Colorado até o fim de 2026. Ele chega para substituir Paulo Pezzolano, demitido no último domingo, e recebe uma dura missão: tirar o Internacional da zona de rebaixamento.
Eduardo deixa o Criciúma, onde estava desde maio do ano passado e disputava a Série B, para assumir um Internacional mergulhado em uma das maiores crises de sua história.
A carreira do novo treinador é extensa. Começou no Sport, em 2014, e passou por Fluminense, Ponte Preta, Palmeiras, Athletico-PR, Coritiba, Vila Nova, CSA, Mirassol, Remo, Juventude, Atlético-GO, Novorizontino e Criciúma.
Tem no currículo os títulos da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano, ambos pelo Sport, em 2014, além do Campeonato Brasileiro da Série D, conquistado pelo Mirassol em 2020.
Mas, no Beira-Rio, o currículo parece ser o menor dos problemas.
A chegada de Eduardo Baptista já vem cercada de rejeição por parte da torcida. Protestos e críticas tomaram conta das redes sociais.
Talvez porque Eduardo não seja aquele treinador badalado, de grande prestígio nacional, que chega com a confiança imediata dos torcedores. Talvez porque esteja vindo de um clube da Série B. Talvez porque o Criciúma, que chegou a liderar a competição, tenha perdido rendimento nas últimas rodadas e caído na tabela.
Ou talvez exista uma lembrança que permanece viva para alguns torcedores mais antigos.
Nos anos 90, Nelsinho Baptista, pai de Eduardo, comandava o Internacional e deixou o clube para trabalhar no Corinthians. Uma declaração atribuída ao treinador, de que estaria saindo do Inter para assumir um “clube grande”, marcou sua relação com parte da torcida.
São histórias que ajudam a explicar o ambiente, mas não resolvem o problema atual. O Internacional de 2026 não pode ficar preso ao passado. Eduardo Baptista é o presente e, a meu ver, não pode ser responsabilizado por uma declaração atribuída ao pai.
Talvez seja importante olhar para essa contratação de outra maneira.
Eduardo será o décimo técnico da gestão Alessandro Barcellos. Antes dele, passaram pelo clube Abel Braga, Miguel Ángel Ramírez, Diego Aguirre, Alexander Medina, Mano Menezes, Eduardo Coudet, Roger Machado, Ramón Díaz e Paulo Pezzolano. Dez treinadores.
A verdade é que o Internacional vive uma crise que ultrapassa as quatro linhas.
Existe a dificuldade financeira, existe a pressão política, existe uma eleição presidencial se aproximando e existe, principalmente, um time dentro da zona de rebaixamento, jogando mal e precisando reagir imediatamente.
Fica a impressão de que o clube tentou outros caminhos antes de chegar a Eduardo Baptista. Nomes como Luís Zubeldía, Jair Ventura, Diego Aguirre, Rafael Lacerda e Maurício Barbieri foram especulados, mas não houve acordo. Então apareceu Eduardo.
Um treinador disposto a assumir um time no Z-4, com apenas dez partidas pela frente e com o risco de carregar no currículo a marca de um possível rebaixamento de um grande clube.
Convenhamos: não é exatamente o emprego dos sonhos. É uma verdadeira operação de emergência.
Talvez seja justamente por isso que o torcedor colorado precise parar, neste momento, de discutir se Eduardo Baptista era o nome dos sonhos.
Não era. Mas o nome já está definido. Ele já está comandando os treinos. O contrato está assinado.
São dez jogos. Dez finais.
Dez oportunidades para tirar o Internacional do buraco.
Agora é hora de deixar o orgulho de lado. O torcedor pode discordar da escolha, questionar os dirigentes, protestar e discutir os erros que levaram o clube até esta situação.
Mas existe uma diferença entre cobrar a direção e abandonar o time. O Internacional precisa, neste momento, de tranquilidade para trabalhar. Porque existe uma realidade que ninguém pode ignorar.
Ou o Colorado compra essa briga agora, ou poderá ter de enfrentar uma batalha muito maior em 2027: as 38 rodadas da Série B.
A crise já bateu à porta. Entrou. Sentou no sofá.
Por isso, talvez seja hora de o torcedor entender que não existe mais espaço para escolher o cenário ideal. O cenário ideal já passou. Agora existe o cenário possível.
E o possível atende pelo nome de Eduardo Baptista.
Ele não é responsável por tudo o que aconteceu até aqui. Mas, a partir de agora, terá a responsabilidade de tentar mudar essa história.
Os jogadores também. A direção também. A torcida também.
Todos estão no mesmo barco. E, quando o barco está afundando, não adianta discutir quem escolheu o comandante. É preciso remar.
Eduardo Baptista assumiu o Internacional. A missão é salvar o Colorado.
Agora é hora de apoiar. Porque o novo técnico pode até ser Eduardo Baptista.
Mas quem precisa salvar o Internacional é o próprio Internacional.
Fonte: Colunista João Carlos Ferreira















