Escrito por • 16:42• Crissiumal

Fim da progressão parcial e escolas cívico-militares por votação: o que pensa o futuro secretário de Educação do RS

Roni Miranda Vieira disse ser contrário ao modelo atual, que permite que os estudantes passem de ano mesmo reprovados em até quatro disciplinas

O secretário estadual da Educação, Roni Miranda Vieira, escolhido pelo governador eleito Luciano Zucco, falou nesta terça-feira (3) sobre os diferentes desafios que terá a partir de 2027. Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, falou sobre uma das principais polêmicas do setor nos últimos anos: o modelo de progressão parcial.

A regra permite que estudantes avancem de ano mesmo reprovados em até quatro disciplinas, desde que realizem estudos complementares dos conteúdos no ano seguinte. A regra foi adotada em 2025 e 2026. Também está prevista para o próximo ano, conforme portaria publicada em 28 de outubro.

No entanto, é possível que a decisão seja revertida com a nova gestão. Vieira afirmou que pode acabar com esse sistema, embora reconheça que o excesso de reprovações também pode ser ruim para a formação dos jovens.

— Você reprovar um estudante continuamente significa que vai excluir esse menino em algum momento da escola. Se você tem aprovação automática também é ruim, porque você não tem um processo de aprendizagem desse estudante. Eu não sou favorável da progressão contínua em relação a ele carregar algumas dependências, mas fazer todo um trabalho de recuperação de aprendizagem ao longo do ano — afirma Vieira.

A recuperação ao longo do próprio ano letivo, defendida por Vieira, já é feita atualmente. No Paraná, onde Vieira foi secretário da Educação, a progressão parcial não é adotada. Os estudantes que não atingem a média em uma disciplina precisam repetir o ano. 

Escolas Cívico-Militares por votação

O futuro secretário também defendeu a adoção do modelo de escolas cívico-militares, uma das principais bandeiras do novo governador. Segundo Vieira, a decisão sobre a implantação desse formato deverá ser tomada pela comunidade escolar.

Vieira projeta um cenário em que tanto as escolas podem solicitar a adoção, quanto o governo pode mapear instituições que possam se enquadrar neste formato. Em ambos os casos, a comunidade seria a responsável pela decisão final.

—  Primeiro tem essa vertente do diálogo, obviamente também a gente faz um mapeamento de escolas que teriam esse perfil do modelo cívico-militar. E aí submete à comunidade uma votação. Essa comunidade vota e decide. Mas obviamente que isso vai ser discutido ao longo do ano juntamente com o governador Zucco — argumenta.

No Estado onde foi secretário há 395 escolas cívico-militares. Vieira indica que as escolas que adotarem o modelo não sofrerão mudanças ideológicas, seguirão sendo administradas por diretores e professores civis, e teriam auxílio de militares em cargos como de monitor escolar, por exemplo.

Foco em Ensino Técnico

Outra proposta mencionada pelo futuro secretário é fortalecer o ensino técnico no turno integral do Ensino Médio. A medida já é adotada atualmente. Desde o início deste ano, todas as escolas estaduais que possuem ensino integral tem no currículo a Educação Profissional.

Entre os cursos ofertados estão: Eventos, Produção de Moda, Planejamento e Controle de Produção, Marketing, Administração, Programação de Jogos Digitais, Informática para Internet, Agroindústria, Desenvolvimento de Sistemas, Meio Ambiente, Agronegócio, Automação Industrial, Eletroeletrônica e Química.

Vieira planeja fortalecer a aproximação com o setor produtivo para aprimorar os currículos voltados para diferentes funções.

— Como eu vou pensar no currículo para um aluno que quer fazer um curso de desenvolvimento de sistema? Vou trazer as empresas, apresentar a carga horária e ver quais as demandas do mercado de trabalho hoje. Que tipo de conhecimento e competências que um estudante que se forme nesse curso técnico precisa ter para atuar como programador ou auxiliar de programação — exemplifica.

O novo secretário assume a pasta em 6 de janeiro, data em que marca o início do novo governo.