
Iniciativa da Serasa começa nesta terça-feira (3) e segue até 6 de dezembro, com participação de mais de 3,3 mil empresas em todo o país
Milhões de gaúchos com contas em atraso terão uma oportunidade para renegociar dívidas a partir desta terça-feira (3). O Feirão Serasa Limpa Nome oferece descontos de até 99% em empresas de diferentes segmentos, como varejo, telecomunicações e concessionárias de serviços básicos, como energia, água e gás. Em todo o país, mais de 3,3 mil empresas participam da iniciativa.
A campanha ocorre em meio a um aumento da inadimplência entre os gaúchos. Em setembro, 4,2 milhões de pessoas estavam com contas em atraso no Rio Grande do Sul, o equivalente a 47,21% da população adulta. O percentual supera o registrado há um ano, em setembro de 2025, quando era de 43,9%. Os dados são do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, da Serasa.
A economista e educadora financeira Janile Soares associa o avanço da inadimplência ao custo elevado do crédito, ao comprometimento da renda com dívidas e à falta de reserva para imprevistos. Ela destaca especialmente o impacto dos juros altos para o consumidor:
No cenário macroeconômico, o principal fator é o custo do crédito. A Selic começou 2026 em 15%, o maior patamar desde 2006. Mesmo com o início da queda, os juros para o consumidor continuam altos: o rotativo do cartão passa de 400% ao ano e o crédito pessoal segue alto também. A dívida cresce muito mais rápido do que a renda e temos uma inflação que está acima da meta — afirma.
A especialista considera positiva a oportunidade de renegociar as dívidas, mas alerta que é preciso avaliar as condições antes de fechar um acordo. A oferta não deve ser aceita por impulso: o valor das parcelas precisa caber no orçamento para evitar novos atrasos.
Valor médio devido supera a taxa nacional
Os 4.200.702 consumidores inadimplentes no Rio Grande do Sul acumulam mais de R$ 35,4 bilhões em dívidas. Embora a proporção de adultos inadimplentes no Estado (49%) esteja abaixo da média nacional (51,1%), o valor médio devido pelos consumidores do Estado é maior.
No Estado, cada consumidor inadimplente deve, em média, R$ 8.446,90, cerca de 19% acima da média brasileira, de R$ 7.093,83. A diferença também aparece no valor médio de cada dívida individual: R$ 1.907,92 no Estado, contra R$ 1.693,68 no país.
No Rio Grande do Sul, soma-se o efeito das enchentes de 2024, que ainda pesam sobre muitas famílias e pequenos negócios. Quem perdeu bens, renda ou o negócio recorreu a crédito para se reerguer e hoje sente o peso das parcelas.
Economista e educadora financeira.
Fonte: Zero Hora