
As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera alcançaram níveis recordes em 2025, ampliando a retenção de calor no planeta e agravando os riscos associados às mudanças climáticas. O alerta foi divulgado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com o relatório, a concentração média global de dióxido de carbono (CO₂), principal gás responsável pelo aquecimento global provocado pelas atividades humanas, chegou a 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025. O índice corresponde a 153% do nível registrado em 1750, antes da industrialização.
Em comparação com 2024, houve um aumento de 2,8 ppm. Apesar de o crescimento ter sido menor do que no ano anterior, a quantidade de CO₂ acumulada na atmosfera continua aumentando. Segundo a OMM, o ritmo de crescimento da concentração desse gás triplicou desde a década de 1960.
A vice-secretária-geral da organização, Ko Barrett, alertou que o acúmulo de gases de efeito estufa está retendo uma quantidade sem precedentes de calor na atmosfera, contribuindo para intensificar fenômenos meteorológicos extremos e ampliar os riscos para a sociedade e a economia.
Metano e óxido nitroso também registram recordes
O levantamento aponta que outros dois importantes gases de efeito estufa de longa duração também atingiram concentrações inéditas em 2025.
O metano (CH₄) chegou a 1.948 partes por bilhão (ppb), equivalente a 267% do nível pré-industrial. Cerca de 65% das emissões desse gás têm origem em atividades humanas, como a pecuária, o cultivo de arroz, a exploração de combustíveis fósseis, os aterros sanitários e a queima de vegetação. O restante provém de fontes naturais, como áreas alagadas.
Já o óxido nitroso (N₂O) alcançou 339,1 ppb, aproximadamente 26% acima do nível registrado em 1750. Entre as principais fontes de emissão estão o uso de fertilizantes agrícolas, a queima de vegetação e determinados processos industriais.
Acúmulo de carbono preocupa especialistas
Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que, entre 1990 e 2025, o efeito de aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa de longa duração aumentou 56%. O dióxido de carbono foi responsável por cerca de 81% desse crescimento.
A OMM ressalta que os números representam a concentração dos gases acumulados na atmosfera, e não apenas as emissões realizadas durante 2025.
Aproximadamente metade do CO₂ liberado anualmente permanece na atmosfera, enquanto o restante é absorvido pelos oceanos e pelos ecossistemas terrestres, como as florestas. Essa capacidade de absorção, entretanto, pode variar conforme as condições climáticas.
Segundo a organização, o crescimento mais moderado da concentração de CO₂ entre 2024 e 2025 está relacionado à recuperação da absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres e à redução das emissões provocadas por incêndios florestais, após os efeitos do El Niño de 2023 e 2024.
Apesar disso, a quantidade de carbono acumulada continua elevada. A OMM prevê que as concentrações de CO₂ sigam aumentando em 2026, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis e pela possibilidade de um El Niño intenso, que pode prejudicar novamente a capacidade de absorção de carbono pela vegetação.
A agência também alerta que as mudanças climáticas podem reduzir a capacidade dos oceanos de absorver dióxido de carbono, fazendo com que uma parcela maior das emissões permaneça na atmosfera.
O cenário reforça a preocupação da comunidade científica com o avanço do aquecimento global e seus efeitos sobre o clima, incluindo ondas de calor, secas e inundações, que provocam prejuízos econômicos e afetam populações em diferentes partes do mundo.
Fonte: Portal diário com informação de G1
Foto: José Fernando Ogura/AEN
