Escrito por 15:24 Crissiumal

Ministério da Saúde recomenda vacina contra HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos

O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacinação contra o HPV para crianças vítimas de violência sexual a partir dos 2 anos de idade. Até então, a indicação específica para esse grupo começava aos 9 anos e se estendia até os 45 anos.

A nova orientação busca ampliar a proteção de crianças que estão em situação de maior vulnerabilidade. Dados citados pelo Ministério apontam um forte aumento nas notificações de violência sexual entre crianças pequenas nos últimos anos.

Segundo o Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os registros entre crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845, em 2024.

Vacina não elimina uma infecção já adquirida

Pela nova recomendação, meninos e meninas vítimas de violência sexual poderão receber uma dose da vacina quadrivalente contra o HPV após avaliação do serviço ou profissional de saúde responsável pelo atendimento.

A vacina não tem como objetivo eliminar uma eventual infecção pelo HPV adquirida durante a violência. A função é proteger contra outros tipos do vírus aos quais a criança ainda não tenha sido exposta e reduzir o risco de infecções em futuras exposições.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, explica que a vacinação nesses casos não deve ser considerada uma medida de profilaxia pós-exposição, mas uma forma de proteção para possíveis exposições futuras.

A vacina quadrivalente oferecida pelo SUS protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os tipos 16 e 18 estão relacionados a diversos tipos de câncer, enquanto os tipos 6 e 11 estão associados à maioria das verrugas anogenitais.

Dose antes dos 9 anos não substitui vacinação de rotina

A nova orientação estabelece uma diferença importante em relação ao calendário regular de vacinação.

Caso a criança receba a vacina contra o HPV antes dos 9 anos em razão de violência sexual, essa aplicação não será considerada parte do esquema básico de vacinação. Ao atingir a idade prevista para a vacinação de rotina, a criança deverá ser imunizada novamente conforme o calendário vigente.

Para crianças que já foram vacinadas contra o HPV anteriormente, a ocorrência de violência sexual não significa, automaticamente, a necessidade de uma nova dose.

O Ministério destaca que ainda existem estudos em andamento para avaliar por quanto tempo a proteção proporcionada por uma dose permanece em crianças menores de 9 anos.

Registros de violência sexual aumentaram

O crescimento das notificações também foi observado entre crianças de 5 a 14 anos. De acordo com os dados citados pelo Ministério da Saúde, os registros nessa faixa etária passaram de 6.594, em 2014, para 29.135, em 2024.

Naquele ano, crianças de 5 a 14 anos representaram 66% das notificações de violência sexual analisadas.

Os números, entretanto, podem não representar toda a dimensão do problema devido à subnotificação. Estudo citado na nota técnica do Ministério estima que ocorram cerca de 822 mil estupros por ano no Brasil, enquanto apenas parte dos casos chega aos sistemas de saúde ou de segurança.

Desde 2023, a vacina contra o HPV já era indicada pelo SUS para vítimas de violência sexual entre 9 e 45 anos. A nova recomendação amplia essa proteção para crianças menores, estabelecendo os 2 anos como idade mínima.

Estudos apontam segurança da vacina

Segundo o Ministério da Saúde, embora ainda existam menos estudos específicos sobre a vacinação contra o HPV em crianças pequenas, pesquisas realizadas na América Latina com crianças de 4 a 6 anos indicaram boa resposta imunológica e perfil favorável de segurança.

O acompanhamento dessas pesquisas, realizado por até três anos, não identificou sinais que contraindicassem o uso da vacina em situações especiais.

Outro fator considerado foi a experiência do Programa Nacional de Imunizações (PNI) com crianças que apresentam papilomatose respiratória recorrente, doença relacionada ao HPV.

Como será feita a vacinação

A vacinação será realizada nas salas de vacinação do SUS mediante indicação do serviço ou profissional responsável pelo atendimento da vítima.

A criança poderá ser encaminhada por hospitais, unidades de atenção primária ou serviços especializados no atendimento a vítimas de violência sexual.

Além da vacinação, o Ministério reforça que o atendimento deve incluir notificação do caso, acompanhamento clínico e medidas de proteção para evitar novas situações de violência.

Fonte: Portal Diário com informações do g1

Foto: Instituto Butantan/Divulgação