
Uma nova campanha de golpes digitais está usando o Desenrola Brasil como isca para atrair pessoas interessadas em renegociar dívidas. Segundo levantamento da empresa de segurança digital Kaspersky, criminosos criaram páginas falsas que imitam canais oficiais do programa e utilizam dados pessoais das vítimas para dar aparência de legitimidade à fraude.
Mais de 60 domínios relacionados ao termo “desenrola” já foram identificados durante o levantamento.
A estratégia começa principalmente por meio de anúncios e conteúdos divulgados nas redes sociais. Ao acessar uma página falsa, a vítima encontra elementos visuais semelhantes aos de sites oficiais e pode se deparar com imagens de autoridades e informações relacionadas ao programa de renegociação.
Golpistas exibem CPF e outros dados pessoais
Um dos principais diferenciais da fraude é o nível de personalização utilizado pelos criminosos. Durante o falso atendimento, a página apresenta informações como nome completo, CPF e data de nascimento da vítima.
Em seguida, o site simula uma análise financeira, mostrando supostos dados sobre score de crédito e valores de dívidas. O objetivo é fazer com que a pessoa acredite estar diante de um sistema oficial.
O atendimento continua por meio de um chat integrado à página. Para aumentar a sensação de autenticidade, os criminosos utilizam mensagens, áudios e vídeos pré-gravados, simulando uma conversa com um atendente.
Depois, a vítima recebe uma suposta proposta para quitar a dívida com descontos que podem chegar a 99%. Os golpistas também prometem retirar o nome dos cadastros de inadimplentes e melhorar o score de crédito.
Pagamento por Pix não quita a dívida
Para finalizar o suposto acordo, a vítima é orientada a realizar o pagamento de uma taxa por Pix.
O valor, porém, não é utilizado para quitar ou renegociar a dívida. De acordo com a Kaspersky, o dinheiro é direcionado para contas de terceiros utilizadas pelos criminosos.
O pagamento também não resulta em qualquer negociação real com o credor.
O pesquisador líder de segurança da Kaspersky, Fabio Assolini, alerta que a utilização de dados verdadeiros não significa que a página seja legítima.
Segundo ele, a campanha combina técnicas de engenharia social com a expectativa de resolver rapidamente uma situação financeira. A exibição de informações pessoais aumenta a confiança da vítima e facilita a aplicação do golpe.
Como se proteger do golpe
Para evitar cair em páginas falsas de renegociação de dívidas, algumas medidas são importantes:
- Verifique cuidadosamente o endereço do site antes de informar qualquer dado pessoal ou realizar pagamentos.
- Não faça pagamentos por Pix para liberar descontos, concluir renegociações ou obter benefícios.
- Acesse diretamente os canais oficiais do governo e das instituições financeiras, evitando links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais.
- Não considere a exibição de nome, CPF, data de nascimento ou score como prova de que uma página é verdadeira.
- Desconfie de ofertas com descontos muito elevados ou que prometam solucionar imediatamente uma dívida mediante pagamento antecipado.
- Em caso de suspeita, interrompa o contato e procure o banco ou a instituição credora pelos canais oficiais.
- Sites falsos e contas utilizadas pelos criminosos podem ser denunciados às autoridades e às instituições financeiras envolvidas.
A principal recomendação é não realizar nenhum pagamento antes de confirmar diretamente com o banco ou credor se a negociação realmente existe. A presença de informações pessoais em uma página não garante que o atendimento seja oficial.
Fonte: Portal diário com informações de G1.















