Escrito por 15:15 Crissiumal

RS está em uma das regiões do mundo mais favoráveis à formação de tornados

O Rio Grande do Sul voltou a registrar um tornado nesta semana, reforçando a vulnerabilidade do Estado a tempestades severas. O fenômeno atingiu o interior de Pedro Osório, no Sul gaúcho, na quinta-feira (6), durante a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical.

O episódio ocorreu apenas uma semana após um tornado atingir municípios do Noroeste do Estado, em 28 de julho. A sequência de eventos chama a atenção para uma característica geográfica do Rio Grande do Sul: o Estado está inserido no chamado “corredor de tornados da América do Sul”, considerado a segunda região do planeta mais favorável à formação desse tipo de fenômeno, atrás apenas da região central dos Estados Unidos.

Por que o RS é tão favorável aos tornados?

Um dos principais fatores é o encontro frequente de massas de ar com características diferentes. O ar quente e úmido que avança da Amazônia encontra massas de ar frio que chegam pelo Sul.

Quando há também mudanças na direção e na velocidade dos ventos conforme a altitude, aumenta a possibilidade de formação de tempestades rotativas. Em determinadas condições, esse movimento pode gerar uma coluna de ar em rotação que se estende da nuvem até o solo, dando origem ao tornado.

Segundo o climatologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Francisco Eliseu Aquino, o risco aumenta quando existe maior contraste entre as massas de ar, aliado a elevada instabilidade atmosférica.

Ciclone extratropical contribuiu para a formação

No episódio registrado nesta semana, um dos principais fatores foi a formação de um ciclone extratropical sobre o oceano.

A pressão atmosférica caiu de maneira significativa e chegou a 997 hPa em Pelotas. A redução da pressão contribuiu para um ambiente favorável ao desenvolvimento de nuvens de grande intensidade.

Nesse cenário, formou-se uma supercélula, tempestade de grande extensão caracterizada por uma corrente de ar em rotação. O tornado registrado no Sul do Estado se desenvolveu a partir dessa estrutura.

A instabilidade também provocou rajadas de vento de até 120,4 km/h em Porto Alegre, além de destelhamentos e quedas de árvores em diferentes municípios. Em Montenegro, um motociclista de 33 anos morreu após ser atingido por uma árvore durante o temporal.

Tornado, supercélula e ciclone não são a mesma coisa

Apesar de estarem relacionados a condições de tempo severo, os fenômenos possuem características diferentes.

🌪️ Tornado: é um fenômeno atmosférico de menor escala, mas com ventos extremamente intensos e concentrados em uma área estreita. Normalmente dura poucos minutos.

⛈️ Supercélula: é uma tempestade organizada que possui uma corrente de ar em rotação. Pode provocar chuva intensa, granizo, ventos fortes e tornados.

🌀 Ciclone: é um sistema de baixa pressão muito maior, que pode alcançar centenas ou até milhares de quilômetros de extensão e permanecer atuando por vários dias.

A meteorologia consegue identificar condições favoráveis à ocorrência de tempestades severas, mas ainda não é possível prever com precisão o local exato onde um tornado irá se formar ou tocar o solo.

Aquecimento e El Niño podem aumentar os riscos

Além das características geográficas, condições climáticas também podem favorecer tempestades severas.

De acordo com especialistas ouvidos pelo g1, um ambiente mais aquecido oferece maior disponibilidade de energia e umidade para o desenvolvimento de tempestades intensas.

O El Niño também pode influenciar a ocorrência de temporais no Sul do Brasil. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e provoca alterações na circulação atmosférica, modificando os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.

Histórico mostra ocorrência de tornados no RS

A ocorrência de tornados não é novidade no Rio Grande do Sul. Dados do Atlas Digital de Desastres apontam que, desde 1991, o Estado registrou pelo menos 31 desastres associados a tornados.

Os eventos atingiram diretamente mais de 7,6 mil pessoas e provocaram aproximadamente R$ 68 milhões em prejuízos materiais.

A sequência de ocorrências recentes reforça a importância do monitoramento meteorológico e da atenção aos alertas emitidos pelos órgãos de Defesa Civil diante da possibilidade de tempestades severas.

Fonte: g1 RS