Falta pouco para a bola rolar na maior Copa do Mundo da história. Mas, curiosamente, o assunto do momento não são os craques ou as seleções. O destaque tem sido uma série de episódios envolvendo a entrada de delegações, árbitros, jornalistas e torcedores nos Estados Unidos, país que sediará a maior parte dos jogos do Mundial de 2026.

Diversos relatos apontam abordagens consideradas excessivas por parte das autoridades de imigração americanas. As denúncias vão desde revistas rigorosas em aeroportos e longos interrogatórios até casos de impedimento de entrada no país.
Entre os episódios mais comentados está o do técnico italiano Fabio Cannavaro, campeão mundial em 2006 e atual comandante da seleção do Uzbequistão. Segundo relatos, integrantes da delegação passaram horas sendo revistados e interrogados na pista de um aeroporto norte-americano, em um procedimento considerado constrangedor, enquanto outra seleção que desembarcava no mesmo local não teria recebido o mesmo tratamento.
Outro caso que ganhou repercussão mundial envolveu o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, um dos principais nomes da arbitragem africana. Escalado para atuar na Copa do Mundo, ele acabou impedido de entrar nos Estados Unidos e, após horas de interrogatório, foi colocado em um voo com destino à Turquia.
Também surgiram relatos de dificuldades enfrentadas por torcedores iranianos, profissionais da imprensa e atletas, que afirmam ter sido submetidos a abordagens ríspidas durante os processos de imigração.
O caso mais delicado envolve justamente a seleção do Irã. Parte da delegação ainda enfrenta dificuldades para obter autorização de entrada nos Estados Unidos, permanecendo hospedada em Tijuana, no México, enquanto aguarda a liberação de vistos para integrantes da comissão técnica e administrativa. A previsão é de que os jogadores tenham autorização apenas para entrar no país no dia das partidas e retornem imediatamente ao México após os jogos.

O tema ganha ainda mais repercussão pelo contexto geopolítico. Esta será a primeira Copa do Mundo desde 1930 em que um país anfitrião receberá uma seleção de uma nação com a qual mantém um conflito político e militar de estar em “em guerra”. A pergunta é, por que a FIFA não transferiu os jogos do Irã para México ou Canadá, evitando um ambiente de instabilidade que esta além do esporte.
Por outro lado, as autoridades americanas defendem que o Mundial representa um grande desafio para o pais. O argumento é de que um evento desse tamanho pode ser utilizado por grupos extremistas para tentar ingressar no país disfarçados de turistas, dirigentes ou até integrantes de delegações esportivas, aumentando o risco de ações.
A FIFA, por sua vez, mantém a posição de que as leis migratórias pertencem exclusivamente aos países anfitriões e afirma não possuir competência para interferir na legislação local, limitando-se a cumprir as determinações das autoridades nacionais.
No entanto, para muitos, além de ser a maior Copa do Mundo de todos os tempos em número de seleções e partidas, o torneio já carrega uma marca indesejada: a de um anfitrião mais controversos e duro a suas visitas, de toda história da competição.
João Carlos C. Ferreira
Colunista Esportivo – Tribuna | Portal Diário
Desportista organizador dos campeonatos regionais de futebol de campo















