Escrito por 12:25 Esporte

UM JOGO DE FUTEBOL – Não tem como não falar de PSG x Bayern

Na tarde de terça-feira, pela primeira semifinal da Liga dos Campeões, o futebol entregou algo raro: uma obra-prima. Nove gols, viradas, avalanche ofensiva, tensão até o último lance.

Foto: Federico Gambarini/Getty Images

Mundo afora, choveram elogios: “parece outro esporte”, “uma ode ao futebol ofensivo”, “a maior partida de todos os tempos?”, “loucura futebolística”. E nenhuma parece exagero.
Mas antes, uma vírgula. Horas depois, o contraste bateu à porta. Cruzeiro x Boca Juniors ofereceu quase o multiverso do jogo da tarde: um gol, poucas jogadas criativas, muita disputa, discussões e, ao final, o já conhecido roteiro Brasil x Argentina com empurra-empurra, confusão e correria. Dois jogos opostos. E, ainda assim, o mesmo futebol.

Voltemos para a tarde.
PSG x Bayern foi, para muitos, o jogo do ano. E talvez seja mesmo. Curioso como, em tempos em que treinadores falam de equilíbrio, controle e ocupação de espaços, dois gigantes recheados de craques entregaram um jogo quase anárquico. Com nomes como Kimmich, Vitinha, Joao Neves, Musiala, Kane, Olise, Luis Díaz, Dembélé, Doué e Kvaratskhelia em campo, vimos nove gols e defesas absolutamente vulneráveis.
No Brasil, se um técnico disser que prefere vencer por 5 a 4 do que por 1 a 0, talvez nem sobreviva à coletiva. Se tomar quatro gols então, cai antes de chegar no vestiário.
E, no entanto, o que parecia uma “pelada” dos campinhos da infância encantou velhos e novos apaixonados pelo jogo. Porque, no fundo, o futebol ainda o fascina é bola na rede.
O roteiro foi alucinante. Bayern abriu aos 17. PSG empatou aos 24 e virou aos 33. Bayern buscou o 2 a 2 aos 41. Veio o 3 a 2 para PSG ainda antes do intervalo. Depois, 4 a 2, 5 a 2… e quando parecia resolvido, o Bayern respondeu em dois minutos: 5 a 3 e 5 a 4. Aos 94, quase o empate, salvo por um zagueiro praticamente em cima da linha.
Isso não foi apenas um jogo. Foi entretenimento puro.
Daqueles jogos em que ninguém pega o celular. Aposto que você mandou mensagem para um amigo e ele não respondeu. Aposto que recebeu mensagem e nem olhou. Porque havia algo maior na tela.

Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

E talvez seja esse o melhor elogio possível.
Nos bastidores, porém, surgiu a cena que defini tudo. No corredor do estádio, já rumo aos vestiários, a conversa dos técnicos. Luis Enrique cruzou com Kompany e lançou uma pergunta simples:
Gostou?
Pronto. Está resumido.
Porque o futebol, às vezes, se explica numa pergunta.
Na próxima quarta, em Munique, vem o segundo capítulo. Difícil imaginar repetição. Impossível não esperar.
E eu deixo a pergunta do treinador do PSG:
VOCÊ GOSTOU?

Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images

João Carlos C. Ferreira

Colunista Esportivo – Tribuna | Portal Diário
Desportista organizador dos campeonatos regionais de futebol de campo