Escrito por 15:10 Esporte

Vamos falar de futebol do nosso jeito: Arbitragem um problema para futuro resolver

A arbitragem brasileira voltou ao centro do debate nesta última semana após a CBF anunciar que irá profissionalizar os árbitros do futebol nacional. Uma medida que há anos vinha sendo cobrada por clubes, jogadores e pelos próprios profissionais do apito. A promessa é de avanço, mas, por enquanto, o projeto.

O que foi divulgado oficialmente até o momento diz respeito aos valores pagos aos árbitros que atuam na Série A, números que chamam atenção e ajudam a entender o tamanho da responsabilidade e da pressão envolvidas.

Valores pagos por jogo – Série A
• Árbitro FIFA Máster: R$ 7.600,00
• Árbitro Assistente: R$ 4.500,00
• Quarto Árbitro: R$ 1.910,00
• Inspetor: R$ 1.850,00
• VAR: R$ 4.560,00
• VAR 2: R$ 2.740,00
• Observador VAR: R$ 2.050,00
Além disso, existem os valores referentes a diárias e deslocamentos, que complementam a remuneração:
Valores de diárias
• Até 100 km: R$ 85,00 (recebe R$ 170,00)
• 101 a 300 km: R$ 115,00 (recebe R$ 230,00)
• 300 a 600 km: R$ 145,00 (recebe R$ 290,00)
• 600 a 800 km: R$ 190,00 (recebe R$ 380,00)
• Acima de 800 km: R$ 315,00 (recebe R$ 630,00)

  • Valores de deslocamento
    • Dentro do estado de origem: R$ 115,00
    • Fora do estado de origem: R$ 190,00

Os números são justos? mas o debate sobre respeito e autoridade dentro de campo segue longe de uma solução. No último final de semana, um episódio envolvendo jogadores de São Paulo e Santos reacendeu a discussão. Atletas acusaram o árbitro da partida de ter mandado um jogador do Santos “tomar no c…”, o que gerou revolta, pressão coletiva sobre a arbitragem.

O árbitro citado, João Vitor Gobbi, negou a acusação, mas o caso será investigado e pode resultar em punição.
Situações como essa levantam um questionamento inevitável: até onde vai o limite da ofensa dentro de campo?

Ofensas são aceitáveis quando direcionadas a companheiros? A adversários? E ao árbitro? A regra existe, mas ela é aplicada de forma igual? Árbitros expulsam jogadores mal-educados ou, muitas vezes, relevam, fingem que não ouviram e deixam o jogo seguir?

E quando olhamos para todo esse contexto da arbitragem profissional, com valores, estrutura, VAR e respaldo institucional, é impossível não lembrar da realidade do futebol amador e da várzea. Alguém sabe quanto ganha um árbitro nessas competições? Vale a pena o risco, o desgaste, a pressão e o desrespeito constante de torcedores, jogadores e dirigentes, sem VAR, sem proteção e com remuneração infinitamente menor?

Fica a reflexão final:
você toparia ser árbitro de futebol amador hoje?
Diante de tudo o que acontece dentro e fora de campo, talvez a pergunta não seja apenas quanto se paga, mas quem ainda quer apitar.

João Carlos C. Ferreira
Colunista Esportivo – Tribuna | Portal Diário
Desportista organizador dos campeonatos regionais de futebol de campo

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