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Agricultores protestam no começo da Expodireto Cotrijal

42 crissiumalenses acompanharam o ato

Foto: Camila Cunha

Antes mesmo da abertura oficial da 26ª Expodireto Cotrijal, na manhã desta segunda-feira, em Não-Me-Toque, ocorreu um amplo protesto de agricultores promovido pela APER, a Associação de Produtores e Empresários Rurais, uma associação sem ligação política e que reúne produtores rurais e empresários do agronegócio para defender as causas do campo e fortalecer o produtor rural. O protesto foi intitulado “Luto pelo agro. Se não lutar, ele morre”.

Mesmo com frio e tempo chuvoso, o movimento reuniu cerca de 300 produtores rurais, que carregaram cruzes pretas e um caixão coberto com a bandeira do Rio Grande do Sul. O grupo reivindicou uma ampla securitização para o endividamento que atinge muitos agricultores gaúchos que perderam suas safras recentes para os problemas climáticos e, visto o endividamento junto ao sistema bancário, não conseguem crédito para realizar suas plantações e investimentos nas propriedades. Também foi lembrado que os problemas no campo levaram 36 agricultores ao suicídio. O grupo reclamou ainda da cobrança de 7,5% de multa de royalties por empresas de biotecnologia.

Grupo de cerca de 300 produtores rurais discursou em frente ao parque da Expodireto Grupo de cerca de 300 produtores rurais discursou em frente ao parque da Expodireto | Foto: Camila Cunha

“Como o agricultor cumpre a lei e paga as suas contas, a gente precisa também que aqueles que fazem parte desta corrente cumpram. O primeiro elo é o produtor rural. O segundo é o Governo, o terceiro é o sistema financeiro, o quarto é a iniciativa privada. E o elo mais importante desta corrente é o produtor rural”, lembrou Arlei Romero, líder do protesto, em frente à entrada do parque. “O elo mais fraco desta corrente é o produtor rural. E tudo tem que ser compartilhado. Não pode ser carregado em cima de um único elo. O produtor rural merece e deve ter este respeito por todos”, disse.

Caminhada e cobranças

Após os discursos na entrada do parque, os manifestantes caminharam pela Expodireto levando suas reivindicações a empresas de sementes transgênicas e biotecnologia. Depois, seguiram em direção aos estandes de instituições financeiras, onde entregaram documentos com pedidos de prorrogação das dívidas.

O produtor Rodrigo Carassa foi um dos manifestantes. Segurando uma faixa com a frase “Securitização já”, ele resumiu o principal gargalo do setor. “A securitização é um alongamento de nossas dívidas, para que a gente tenha a possibilidade de pagar. Jamais pedimos perdão da dívida. Nós queremos alongar a dívida em condições que a gente consiga pagar, com juros justos. Porque, do jeito que está, nós estamos vindo de frustração de safra, de enchente, e estamos pegando toda a diversidade do tempo. Então nós precisamos de condições de pagar e colocar nossas contas em ordem.”

Produtor de grãos em uma propriedade de Pontão, no norte do Estado, Rodrigo também reclamou do preço dos produtos. “O preço dos nossos produtos está muito baixo. Nós estamos ficando com um custo muito elevado. Tanto que agora, de ontem para hoje, o óleo diesel explodiu de preço e não tem óleo diesel no mercado. E a colheita está chegando. Isso causa mais outro problema para nós. Então imagina: você tem uma produção para ser colhida e não tem nem óleo diesel para conseguir abastecer? É muito caótico isso aí”, afirmou.

Outra reivindicação é o valor dos royalties, que os produtores consideram abusivos. “Nós produtores não somos contra a cobrança de royalties. Hoje está em torno de 7% a cobrança por uma tecnologia que não funciona ou também por patente vencida. Isso é algo extremamente abusivo. Nós estamos de acordo em pagar royalties por um valor justo: 1,5% ou 2% no máximo.”

Os produtores também lembraram que 36 trabalhadores do campo já cometeram suicídio devido ao endividamento. Conforme Rodrigo, essa situação já perdura há pelo menos cinco anos. “Tu teve uma frustração de safra, tu renegocia e joga para frente. Só que já estamos três, quatro safras encontrando uma renegociação em cima da outra, esticando a curto prazo. Agora, a corda não tem mais onde esticar. A corda já arrebentou”, afirmou.

Após a caminhada, os manifestantes ingressão no pavilhão onde ocorria a abertura oficial da Expodireto. O protesto foi pacífico e não houve registro de tumultos.

Fonte: Correio do Povo