
O policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito pelo desaparecimento da ex-esposa Silvana Germann de Aguiar e dos pais dela, presta um novo depoimento à Polícia Civil durante a manhã desta segunda-feira (6), em Cachoeirinha. A oitiva ocorre mais de 70 dias após o sumiço da família e na reta final do inquérito que apura o crime.
Na oitiva desta segunda-feira, o PM voltou a ficar em silêncio durante as 2h30 de depoimento.
Após ser ouvido inicialmente como testemunha, ele passou a usar o direito de ficar calado em todos os interrogatórios desde que se tornou o principal suspeito do triplo homicídio. Cristiano está preso desde o dia 10 de fevereiro.
“É uma questão muito pessoal dele. Quero tentar ter acesso ali agora, conversar com o Cristiano e aí vamos em conjunto, conversando, ver qual é o melhor caminho”, disse o advogado de defesa, Jeverson Barcellos, antes do depoimento iniciar, por volta das 10h30.
No dia 24 de janeiro, Silvana, 48 anos, sumiu. Um dia depois, 25 de janeiro, os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69 anos, e Dalmira Germann de Aguiar, 70 anos, foram vistos pela última vez. Desde então, o caso segue cercado de mistérios e não se tem informações sobre o paradeiro da família de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A expectativa da polícia é de concluir a investigação e solicitar à Justiça a conversão da prisão temporária em preventiva. A investigação trata o caso como feminicídio e duplo homicídio. A polícia aponta que a motivação do crime seria a disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras envolvendo o patrimônio da família Aguiar.
Feminicídio e desavenças na criação do filho
Os investigadores veem como remotas as chances de encontrá-los com vida. O crime é tratado como feminicídio (Silvana) e duplo homicídio (idosos). Buscas chegaram a ser feitas em Cachoeirinha e em cidades vizinhas, mas os corpos não foram encontrados.
Duas semanas antes do desaparecimento, Silvana procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares.
“A gente tem já na investigação formalizada que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho”, afirma o delegado Anderson Spier.
Uma possível motivação para o crime seria financeira. De acordo com o delegado, a família Aguiar tinha bens. “Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto”, destaca Spier.
Novos investigados
No final de março, três pessoas, ligadas ao policial militar, passaram à condição de suspeitas, pois estariam atrapalhando as investigações.
Conforme o delegado, uma parente de Cristiano é investigada por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online). Profissional da área de TI, ela é suspeita de fraude processual.
Ainda segundo o delegado, um homem, familiar do PM, teria deletado imagens de câmeras da casa onde mora a mãe de Cristiano. Ele também é suspeito de fraude processual.
Ainda, uma terceira pessoa próxima do PM é investigada por falso testemunho. Segundo o delegado, a pedido de uma familiar de Cristiano, o homem teria mentido em circunstâncias do depoimento, para dar falsos álibis ao principal suspeito.
O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente. Ele destaca que aguarda a conclusão do inquérito policial para se manifestar.
FONTE: G1RS
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