Escrito por 14:47 Crissiumal

Greve dos Correios começa em todo o país e segue sem previsão de término

A greve dos trabalhadores dos Correios continua nesta segunda-feira (14) em diversas regiões do país e segue por tempo indeterminado. Até o momento, não há previsão para o encerramento da paralisação.

A mobilização começou na sexta-feira (11), após trabalhadores rejeitarem, em assembleias, uma proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

Entre as principais reivindicações da categoria estão avanços nas negociações, a preservação de direitos e garantias relacionadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes. Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), o plano de saúde é um dos principais pontos de divergência com a direção da estatal.

Correios adotam plano para reduzir impactos

Os Correios informaram que acionaram o Plano de Continuidade de Negócios com o objetivo de reduzir os impactos da paralisação e manter os serviços em funcionamento em todo o país.

Entre as medidas adotadas estão o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar nas atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para manter o fluxo logístico.

A empresa também informou que a rede de agências permanece aberta ao público.

Ainda não foi informado se haverá alteração nos prazos de entrega ou quais regiões poderão registrar maiores impactos devido à greve.

Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato com os Correios pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou utilizar os canais digitais de atendimento da empresa.

TST determina manutenção de 80% do efetivo

Após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição da proposta do ACT 2026/2028, os Correios ingressaram com pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

No sábado (12), o TST determinou, por meio de decisão liminar, que pelo menos 80% dos trabalhadores permaneçam em atividade em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a paralisação.

A determinação abrange funcionários das áreas de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos ou de suporte considerados indispensáveis para a continuidade dos serviços postais.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST.

Até a data do julgamento, as partes ainda podem chegar a um acordo.

Greve atinge diversas regiões do país

Segundo a FINDECT, sindicatos de diferentes estados e regiões aprovaram a paralisação. Entre eles estão entidades representantes de trabalhadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Amazonas, entre outros.

No Rio Grande do Sul, a paralisação conta com a adesão do SINTECT-RS e do SINTECT-SMA, que representa a região de Santa Maria.

Correios enfrentam crise financeira

A greve ocorre em meio a uma situação financeira delicada enfrentada pelos Correios.

A empresa acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos. No primeiro semestre de 2026, a estatal registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões.

Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no segundo trimestre foi menor do que o contabilizado nos dois períodos anteriores, incluindo o primeiro trimestre de 2026, quando a empresa registrou prejuízo recorde.

Os Correios também aguardam um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, que deve ser concedido por um consórcio de instituições financeiras. A operação já havia sido confirmada nas demonstrações financeiras do primeiro semestre deste ano.

O julgamento marcado para 21 de setembro deverá definir os próximos passos em relação ao impasse entre a empresa e os trabalhadores.

Fonte: Portal Diário com informações do g1 / Clic Crissiumal