
Pedido foi apresentado à Justiça de Santa Rosa e envolve duas empresas e dois produtores rurais. Banco do Brasil aparece como principal credor, com R$ 41,87 milhões.
A Agropecuária Ivagaci, de Boa Vista do Buricá, protocolou um pedido de recuperação judicial no dia 17 de setembro de 2026. O processo tramita na Vara Regional Empresarial da Comarca de Santa Rosa e apresenta uma relação de credores que soma R$ 127,67 milhões.
O pedido envolve a Agropecuária Ivagaci, a Transportadora Ivagaci e dois sócios que exercem atividade rural em nome próprio. O grupo solicita a consolidação substancial das empresas e dos produtores rurais, com a apresentação de uma lista de credores e um plano de recuperação únicos.
Segundo a relação apresentada à Justiça, o Banco do Brasil é o principal credor, com R$ 41,87 milhões, distribuídos em dois lançamentos. Na sequência aparecem a Sicredi Noroeste RS, com R$ 11,30 milhões; a Cresol Cooperar, com R$ 11,03 milhões; e a Ecoagro Insumo, com R$ 10 milhões.
Juntas, essas quatro instituições e empresas concentram R$ 74,20 milhões, o equivalente a aproximadamente 58,1% do total informado.
Crise financeira e dificuldades na suinocultura
De acordo com as informações apresentadas pelas requerentes no processo, a crise financeira está relacionada principalmente à atividade de suinocultura.
A petição relata que a operação passou a registrar prejuízos a partir de 2021, em meio à elevação dos custos do milho. Após uma recuperação em 2024 e 2025, o grupo afirma ter enfrentado uma nova queda nos preços dos suínos em 2026, associada ao excesso de oferta.
Ainda conforme o pedido, recursos de outras atividades passaram a ser utilizados para sustentar a criação de suínos, enquanto o crédito ficou mais caro.
A documentação também menciona que, em 2026, produtores anteciparam a fixação e o faturamento de grãos em meio a rumores envolvendo o grupo. Entre as medidas adotadas para enfrentar as dificuldades, estariam a contratação de operações de factoring, a venda de parte da frota e a redução das atividades de suinocultura e logística.
Pedido busca evitar bloqueios e arrestos
As requerentes solicitaram à Justiça uma tutela de urgência para suspender bloqueios e arrestos sobre bens considerados essenciais para a continuidade das atividades.
Entre os bens mencionados estão cinco imóveis localizados em Boa Vista do Buricá e caminhões relacionados na petição.
O grupo também pediu o parcelamento das custas processuais e, após a complementação da documentação, o processamento da recuperação judicial, com prazo de 60 dias para apresentação do plano.
Até 18 de setembro de 2026, conforme os documentos consultados pela publicação original, não havia sido localizada decisão judicial sobre a tutela de urgência, a consolidação substancial ou o processamento da recuperação.
Como ficam os credores?
A relação apresentada pelo grupo soma R$ 127,67 milhões em créditos sujeitos à recuperação judicial.
Desse total, R$ 127,32 milhões correspondem a créditos quirografários, R$ 301,4 mil a créditos trabalhistas e R$ 42,1 mil a créditos de microempresas e empresas de pequeno porte. A classe de garantia real aparece sem valores informados.
O pedido de recuperação judicial ainda depende de análise do Judiciário. Caso o processamento seja autorizado, os credores deverão acompanhar as etapas previstas no processo, incluindo os procedimentos de habilitação e apresentação de divergências.
A consolidação substancial solicitada pelo grupo prevê a unificação da relação de credores e do plano de recuperação, reunindo as empresas e os produtores rurais envolvidos.
Dados do processo
- Processo: XXXXX-91.2026.8.21.0028
- Juízo: Vara Regional Empresarial da Comarca de Santa Rosa (RS)
- Tipo: Recuperação judicial
- Data de distribuição: 17 de setembro de 2026
- Valor informado: R$ 127,67 milhões
- Requerentes: Agropecuária Ivagaci Ltda., Transportadora Ivagaci Ltda. e dois sócios produtores rurais.
Fonte: PreservaCred















