Escrito por 16:41 Crissiumal

Florescimento do trigo começa no Rio Grande do Sul

A cultura de trigo apresenta desenvolvimento satisfatório no Rio Grande do Sul, com início da fase de floração, embora as condições meteorológicas das últimas semanas tenham imposto restrições pontuais ao crescimento das plantas e à finalização da semeadura. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (6/8), o excesso de precipitações manteve elevada a umidade dos solos, dificultando o tráfego de máquinas, as adubações nitrogenadas em cobertura e as aplicações fitossanitárias, mas sem ocasionar atrasos expressivos nas operações.

Nas lavouras de trigo mais desenvolvidas, o aumento da radiação solar, no final do período, favoreceu a retomada do crescimento e o avanço para as fases reprodutivas iniciais (3%). Já as áreas implantadas mais tardiamente (97%) estão em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento. Na região de Santa Rosa, 6% das lavouras de trigo ingressaram na fase de floração. Em Santo Antônio das Missões, o episódio de granizo ocasionou o acamamento das plantas. Porém, há expectativa de recuperação da maior parte do potencial produtivo.

Canola – A cultura apresenta evolução satisfatória, e as lavouras se distribuem entre desenvolvimento vegetativo, floração, formação de síliquas, enchimento de grãos e início de maturação nas áreas mais precoces. As precipitações frequentes, associadas à elevada umidade do solo e à baixa luminosidade, reduziram de forma temporária o crescimento vegetativo. Nas áreas em floração, persiste a preocupação quanto aos possíveis reflexos do excesso de umidade sobre a fecundação das flores. Contudo, os efeitos ainda são pontuais e de baixa representatividade na escala estadual. A área cultivada de canola está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média em 1.619 kg/ha.

Na região de Santa Maria, em Tupanciretã, 70% das lavouras de canola estão em floração. Os ventos intensos ocasionaram acamamento de plantas em algumas áreas, o que pode reduzir parcialmente o rendimento. Os episódios de granizo atingiram lavouras em Capão do Cipó, onde mais de mil hectares foram afetados, mas as perdas estão inferiores a 10% do potencial produtivo e, em Quevedos, 300 hectares foram atingidos com elevada intensidade, e houve perda total das áreas afetadas. Na região de Soledade, 50% estão em desenvolvimento vegetativo e 50% em florescimento/formação de síliquas. Embora as chuvas intensas possam ter reduzido a fecundação das flores em parte das áreas em floração, os impactos esperados tendem a ser limitados em razão do comportamento reprodutivo da cultura.

Aveia-branca – O desenvolvimento das lavouras está satisfatório na maior parte das regiões. As lavouras se encontram em perfilhamento, elongação do colmo, floração e enchimento de grãos. As condições fitossanitárias estão adequadas, apesar de o excesso de umidade e as chuvas intensas terem provocado acamamento e danos pontuais em alguns locais, em especial nas lavouras em estádio de floração. Nas áreas onde os volumes de chuva foram menores, o potencial produtivo foi mantido.

PASTAGENS

O campo nativo, em função da estação, apresenta pouca produção de massa verde. O período chuvoso causou encharcamento do solo em diversas regiões. Na região de Bagé, os campos demonstraram leve recuperação. Contudo, a baixa luminosidade e as chuvas frequentes limitaram a rebrota e ocasionaram a formação de barro. Nas de Pelotas, Santa Rosa e Soledade, as temperaturas mais altas estimularam a rebrota do campo nativo, aumentando sua oferta, mas em quantidades pouco expressivas.

 Na região de Caxias do Sul, o tempo seco na segunda metade do período favoreceu o desenvolvimento das forrageiras e permitiu a aplicação de adubação nitrogenada em cobertura nas áreas onde ainda não havia sido realizada. As áreas implantadas apresentam boa densidade de plantas e elevada produção de massa verde. Em algumas áreas destinadas ao pastejo tardio, foram realizados novos plantios de aveia e de azevém. Na de Erechim, nas áreas de azevém e de aveia, o crescimento diminuiu, mas o desenvolvimento ficou satisfatório. Houve necessidade de readequação da lotação para evitar o superpastejo, a compactação do solo e a perda de produtividade das pastagens.

 Na região de Passo Fundo, o excesso de chuvas, registrado em diversas localidades, dificultou o manejo das áreas de pastagens, principalmente o acesso dos animais e a realização das adubações de cobertura. As lavouras de trigo destinadas à produção de silagem se desenvolveram bem. Em Lagoa dos Três Cantos, Não-Me-Toque e Ernestina ocorreram danos mais acentuados, em algumas áreas, em virtude da queda de granizo, que ocorreu nesses municípios. O excesso de umidade levou à redução temporária do pastejo para evitar danos às pastagens.

OVINOCULTURA

Continuaram as parições e os cuidados com as matrizes e os cordeiros recém-nascidos. As frequentes chuvas e a elevada umidade exigiram maior atenção ao manejo dos animais, visando prevenir problemas podais, reduzir o risco de infecções parasitárias e garantir abrigo adequado. Em parte dos rebanhos, em especial nas matrizes em gestação e lactação, há necessidade de suplementação alimentar para a manutenção da condição corporal. As chuvas ocasionaram também encharcamento da lã em alguns municípios, prejudicando o bem-estar dos animais e elevando risco de doenças respiratórias, como pneumonia, e de outras intercorrências.

Na região de Bagé, a maioria dos rebanhos se encontra em período de parições e em início da lactação das matrizes. As chuvas frequentes causaram o encharcamento da lã de parte dos animais com pelagem alta, o que pode ocasionar, nas ovelhas prenhas ou debilitadas, dificuldades de se levantarem. Alguns produtores estão fornecendo ração ou outros suplementos de menor qualidade às ovelhas recém-paridas ou destinando essas matrizes para as áreas de pastagem, com pastejo horário em alguns casos.

Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

 Texto: Ascom Emater/RS-Ascar