
Um homem de 29 anos que estava foragido desde maio, após deixar a Penitenciária Modulada de Charqueadas utilizando um alvará de soltura falsificado, foi preso na noite desta quarta-feira (19), no município de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Identificado como Willian Ramos Silveira, conhecido como “Will”, o homem foi localizado por policiais do 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM) em um condomínio no bairro Distrito Industrial. Durante a abordagem, os policiais apreenderam um fuzil e munições.
Willian estava foragido desde a manhã de 21 de maio, quando deixou a unidade prisional pela porta da frente. Ele não precisou romper grades, pular muros ou se esconder para deixar o presídio.
O detento possui uma condenação de 34 anos de prisão e antecedentes por homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Conforme a Polícia Civil, ele é apontado como um dos principais executores de um dos braços de uma facção criminosa com atuação na Capital.
A polícia também investiga uma possível relação entre o grupo criminoso ao qual Willian estaria ligado e dois homicídios registrados em Cachoeirinha logo após a fuga. A participação dele nesses crimes, no entanto, ainda é investigada.
Alvará falso teria sido produzido por policial penal
A investigação da fuga apontou que o documento utilizado para liberar o preso teria sido falsificado por um policial penal que trabalhava no setor responsável pelo recebimento de alvarás de soltura expedidos pela Justiça.
Segundo o delegado Augusto Zenon, Rudcrei da Costa Machado teria produzido o documento falso e entregue o alvará ao detento, permitindo que ele deixasse a prisão.
O policial penal foi preso preventivamente no final de junho e acabou indiciado por quatro crimes: promoção de fuga de pessoa presa, inserção de dados falsos em sistema, falsificação de documento público e falsidade ideológica.
De acordo com a investigação, Machado teria tentado eliminar vestígios da fraude. Entre as ações apontadas pela polícia estão a retirada de páginas do livro de registros do presídio e a alteração de senhas de colegas para modificar planilhas internas.
Ainda conforme a Polícia Civil, o servidor chegou a registrar uma suposta saída de Willian para atendimento hospitalar, procedimento que, segundo a investigação, nunca aconteceu.
O policial foi afastado pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal e permanece preso preventivamente. Um inquérito paralelo também foi aberto para investigar as movimentações financeiras do servidor.
Durante a apuração, os investigadores identificaram a compra de uma caminhonete avaliada em R$ 235 mil, valor considerado incompatível com a remuneração do policial.
Outros dois agentes foram indiciados
Além de Machado, outros dois policiais penais foram indiciados por prevaricação. Eles não foram presos.
Segundo a investigação, os servidores teriam identificado inconsistências nos sistemas de controle da unidade, mas não comunicaram o fato aos superiores.
O preso aparecia como “solto” em uma planilha de controle, enquanto permanecia registrado como “preso” no sistema oficial.
Defesa afirma que policial é inocente
A defesa de Rudcrei da Costa Machado afirma que o policial é inocente e contesta as informações divulgadas sobre o caso.
Em nota, o advogado Jefferson Billo da Silva afirmou que ainda não teve acesso ao inquérito policial nem ao relatório final que fundamentou o indiciamento. A defesa sustenta que os fatos serão esclarecidos durante o processo e reforça a garantia do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
As investigações sobre a fuga, a possível participação de servidores públicos e os demais crimes relacionados ao caso continuam.
Fonte: g1 RS















