
O assunto da semana e, provavelmente, dos próximos dias tem um nome: Gre-Nal. Ou melhor, dois Gre-Nais que se aproximam e prometem parar o Rio Grande do Sul durante 180 minutos de futebol e paixão.
E pouco importa o momento vivido por Grêmio e Internacional. Mesmo em uma fase difícil, com os dois clubes próximos da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o torcedor não abandona seu clube. Pelo contrário: abraça ainda mais, veste a camisa, compra o ingresso e vai ao estádio apoiar.
A prova está nos ingressos. Assim que as vendas foram abertas, os bilhetes se esgotaram em poucas horas, tanto do lado colorado quanto do lado gremista. É a demonstração de que o futebol pode estar em crise, mas a paixão do torcedor não entra em campo em má fase.
Gre-Nais com esse peso sempre acabam ganhando um apelido. Afinal, a história da rivalidade já está recheada deles.
Quem não lembra do “Gre-Nal do Fim do Mundo”, o clássico de número 424, disputado em 12 de março de 2020, que ficou marcado como o último jogo com torcida nos estádios antes da paralisação provocada pela pandemia?
Já tivemos o Gre-Nal do Século, o Gre-Nal Farroupilha, o Gre-Nal dos 100 anos, o Gre-Nal dos Banheiros, o Gre-Nal do 5 a 0 e o Gre-Nal Sem Torcida.
Mas aí fica a pergunta: que nome vamos dar a estes dois Gre-Nais?
Serão os Gre-Nais dos Desesperados? Os dois clubes vivem uma crise nunca antes vivida, dentro e fora de campo. Os Gre-Nais da Valsa, em que o torcedor gremista pode comemorar os 15 anos sem títulos do rival. Os Gre-Nais da Tábua de Salvação? Quem ganhar pode crescer e se salvar do rebaixamento. Ou seriam os Gre-Nais do Limbo, entre a esperança de reação e o medo de afundar ainda mais?
Talvez nenhum desses nomes seja suficiente.
Porque uma coisa não se discute: este é o Gre-Nal dos gaúchos. É uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro, da América do Sul e, por que não, do mundo.
E justamente por isso, não podemos olhar somente para o lado ruim que envolve os dois clubes.
Sim, existe um futebol pobre dentro de campo. Sim, a situação financeira de ambos é preocupante, com dívidas e dificuldades que parecem não ter solução imediata. Sim, os dois vivem um momento complicado no Campeonato Brasileiro.
É um clássico dentro de uma das competições mais importantes e cobiçadas do futebol mundial. E o Rio Grande do Sul conhece muito bem essa história. O Estado soma seis títulos brasileiros, sendo cinco conquistados pelo Grêmio e um pelo Internacional.
É por isso que esses dois confrontos precisam ser vividos. Precisam ser discutidos, comemorados, sofridos e, principalmente, celebrados. Porque Gre-Nal também é isso: encontrar o amigo, provocar, fazer a corneta, defender seu clube e esperar os 90 minutos seguintes para devolver a provocação.
Quem ganhar poderá encontrar nesses clássicos muito mais do que três pontos. Uma vitória pode significar confiança, recuperação, tranquilidade e até uma mudança de rumo na temporada.
Para quem perder, a pressão certamente será ainda maior. Poderá marcar uma temporada inteira.
E talvez, quando tudo terminar, o torcedor encontre o nome perfeito para esses dois Gre-Nais. Talvez seja um nome que ainda não imaginamos.
Porque os grandes clássicos não precisam de nome antes de acontecer. Eles mesmos constroem sua história.
Mas uma certeza já existe: quem vive o futebol no Rio Grande do Sul não passará alheio a esses Gre-Nais. Porque aqui o Gre-Nal não é apenas um jogo.
É paixão. E paixão, como diz o velho ditado:
NÃO SE EXPLICA. SE VIVE.
Fonte: Colunista Esportivo João Carlos Ferreira.















