
Quase metade dos supermercadistas do Rio Grande do Sul considera que será necessário reavaliar o funcionamento das lojas aos domingos caso avancem as mudanças na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1 e a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas.
O levantamento foi realizado pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas). Segundo a sondagem, 45% dos empresários consultados entendem que a abertura aos domingos precisará ser repensada. Outros 15% projetam reduzir o horário de funcionamento dos estabelecimentos.
De acordo com o presidente da Agas, Lindonor Peruzzo Junior, a dificuldade para contratar trabalhadores aos domingos já é uma realidade em algumas regiões do Estado. Na região de Lajeado, por exemplo, a falta de profissionais disponíveis para atuar nesse dia pode tornar inviável a manutenção do atendimento em determinados locais, especialmente com a adoção de jornadas menores.
Adaptação dos consumidores é uma incógnita
Outro ponto de preocupação é como os consumidores reagirão a possíveis mudanças nos horários de funcionamento. A adaptação poderá ocorrer de maneira diferente entre o interior do Estado e a capital, Porto Alegre.
Em países como a Alemanha, onde existem jornadas de trabalho reduzidas e o comércio fecha em determinados dias, os consumidores costumam organizar suas compras com antecedência ou deixá-las para outro momento.
Concorrência com farmácias preocupa o setor
Os supermercadistas também temem que eventuais mudanças ampliem a concorrência com as farmácias, que vêm aumentando a variedade de produtos comercializados, incluindo itens encontrados tradicionalmente nos supermercados.
O setor farmacêutico também precisará se adaptar às possíveis alterações nas regras trabalhistas.
Outra preocupação envolve a diferença entre grandes e pequenos estabelecimentos. Empresas com equipes maiores tendem a ter mais flexibilidade para reorganizar as escalas, enquanto negócios menores podem enfrentar mais dificuldades para manter o atendimento.
Exigências dos shoppings também entram na discussão
A situação dos lojistas instalados em shopping centers é outro desafio. Muitos contratos exigem que as lojas funcionem diariamente e acompanhem o horário de abertura e fechamento dos complexos comerciais.
Para os pequenos comerciantes, deixar de abrir em determinado dia pode não ser uma alternativa viável. Nesse cenário, a contratação de mais funcionários poderá se tornar necessária para garantir o funcionamento das lojas.
PEC do Horista é apontada como alternativa
Entre as propostas em discussão está a chamada PEC do Horista, associada ao senador Rogério Marinho (PL-RN). O modelo prevê remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas, com pagamento proporcional de direitos como FGTS, férias e 13º salário.
A proposta também prevê a prevalência do contrato individual de trabalho sobre acordos coletivos, ponto que pode gerar debates sobre o equilíbrio das negociações entre empregadores e trabalhadores.
Diante das possíveis mudanças, o setor supermercadista acompanha as discussões sobre a jornada de trabalho e avalia alternativas para manter as operações, atender os consumidores e adequar os custos à nova realidade.
Fonte: Portal diário com informações de Três Passos News / GZH.












